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Perspectivas (novas) em oftalmologia

 

De uma maneira quase vertiginosa, várias são as áreas em oftalmologia que se desenvolvem a cada ano, abrindo novas e promissoras oportunidades de tratamento para inúmeras doenças oculares.


P oderíamos citar muitos exemplos, mas vamos nos fixar em algumas das mais importantes e com grandes chances de se tornarem uma rotina muito em breve, ao mesmo tempo que vale um alerta nestas novidades.


Glaucoma

No âmbito do Glaucoma, ao invés de serem prescritos diferentes colírios diariamente, os fabricantes já conseguem reunir em apenas um frasco uma combinação de duas ou até três drogas, potencializando seus efeitos e tornando o seu uso mais confortável ao longo do dia. Ou, ao invés de colírios, já estão sendo disponibilizados nos Estados Unidos dispositivos de liberação contínua de tais medicamentos. Tais dispositivos podem ser colocados no fundo do saco conjuntival e ao longo de semanas eles vão atuando de maneira a poupar o paciente de ficar pingando colírios nos olhos várias vezes ao dia.


ALERTA: fala-se muito em uso da maconha para tratamento de glaucoma, no entanto, nem a American Academy of Ophthalmology nem a American Glaucoma Society recomendam o uso desta droga para tal fim.


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De acordo com o pesquisador Anurag Shrivastava, MD, durante sua apresentação no recente congresso da American Society of Cataract and Refractive Surgery (Glaucoma Day – 3 a 7 de maio p.p. em San Diego, USA) o efeito do uso do alcaloide extraído desta planta realmente provoca um efeito hipotensor ocular mas de curto efeito, ensejando ao paciente ter que repetir sua administração várias vezes ao dia e provocando, certamente, seus efeitos colaterais extremamente danosos ao ser humano. Dentre eles, são relatados casos de câncer de pulmão, sonolência, euforia, taquicardia, perda de memória, alteração do humor, dificuldade de concentração. Ainda pior, aumento da pressão arterial e redução de perfusão da cabeça do nervo óptico, estrutura fundamental para transmissão de impulsos elétricos para a córtex cerebral onde se processa o fenômeno visual. Muitos destes efeitos deletérios fizeram a American Psychiatric Association vir a público enfatizando o aparecimento de uma nova doença, CUD (cannabis use disorder) e um possível aumento deste grave quadro psiquiátrico caso aumente o número de usuários do THC (Tetrahydrocannabinol).


Olho Seco

Na área do olho seco, doença que cada vez mais afeta a humanidade por consequência de agressões ambientais que transformam o ar que respiramos em um fator permanente de redução da película lacrimal, bem como exposição exagerada a aparelhos de ar condicionado ou ventiladores, ou uso excessivo de alguns remédios que agridem os olhos, podem ser melhor diagnosticados e tratados com colírios oculoprotetores. Só nos Estados Unidos estima-se em mais de 20% de procura de pacientes por especialistas sofrendo da síndrome de olho seco e que leva, em situações extremas, a perda da qualidade da visão em diversas fases da vida de seus portadores.



Leitura recomendada: Olho Seco: caso de saúde pública e Olho seco: uma nova síndrome?

O mais importante, em quaisquer destas e muitas outras situações, é o paciente buscar o oftalmologista para fazer o correto diagnóstico da doença e estabelecer o tratamento mais apropriado para corrigir tais transtornos.



Foto: Meli1670 em Pixabay