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Como prevenir doenças oculares por faixa etária?

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Tremores nas pálpebras: sinal de estresse?
27/11/2020
 

Volta e meia novas perguntas nos são feitas pelos clientes e amigos. Sempre tentando esclarecê-las de forma clara e objetiva, aqui seguem algumas delas.


1. Quais são as principais doenças oculares de cada faixa etária?

Dr. Miguel Padilha Responder esta pergunta, significa tentar sumarizar da melhor maneira possível tudo o que pode acontecer ao longo da vida de um indivíduo afetando o precioso dom da visão!

Ao nascer, o Teste do Olhinho já feito na maternidade, nos permite diagnosticar alterações oculares através do reflexo vermelho presente na pupila dos bebês. Se a pupila (ou as duas pupilas) apresentar um aspecto esbranquiçado (leucocoria), pode significar presença de catarata, lesão vitreorretiniana ou tumor intraocular, como o retinoblastoma (Sociedade Goiana de Pediatria), o que obriga encaminhamento de imediato ao oftalmologista.



Se apresentar um lacrimejamento excessivo e dar a impressão de um dos olhos ser maior que o outro, tem que ser afastada a hipótese de um glaucoma congênito. Pode também aparecer logo no primeiro ano de vida um estrabismo, cabendo ao especialista identificar a causa e estabelecer o tratamento adequado, incluindo uma eventual cirurgia para correção deste desvio ocular. Em muitas ocasiões este estrabismo pode ter como causa alguma lesão macular, sendo a toxoplasmose congênita a razão principal para provocar a perda parcial da visão e o comprometimento do paralelismo normal dos olhos.



Se este estrabismo, de maneira geral convergente (ou seja, os olhos se desviando para dentro), aparece por volta dos três anos, a presença de uma forte hipermetropia poderá ser o agente causal, e um óculos será o suficiente para contornar o problema. Mas pode ser necessária uma cirurgia complementar para fazer os olhos ficarem absolutamente em paralelo.



Leitura recomendada: Fique de Olho: Alterações Oculares

Outras alterações oculares exigem um exame ocular por volta dos três anos para se diagnosticar se estas crianças são portadoras de hipermetropia, miopia, astigmatismo e, mais importante, se estes “vícios de refração” não estão afetando apenas um dos olhos. Se isto ocorrer, será importante estabelecer tratamentos ortópticos para que a função visual possa transcorrer de forma normal e não se desenvolva o que o leigo identifica como "olho preguiçoso ".

Daí em diante, poderíamos dizer que a retinose pigmentar costuma se manifestar durante a adolescência, da mesma maneira o ceratocone ... o glaucoma torna-se mais comum a partir dos 40 anos .... a catarata a partir dos 60 .... a degeneração macular a partir dos 70 .... as endoteliopatias se agravam a partir dos 80 anos!



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2. Como é possível preveni-las? Quais os principais cuidados que precisamos ter com nossos olhos?

MP A prevenção se faz com um exame ocular que deve ser feito pelo oftalmologista (o especialista responsável pelos cuidados com os olhos), incluindo diagnóstico e tratamentos clínicos e cirúrgicos.

O recomendável é, se pais ou professores perceberem qualquer tipo de anomalia visual, irem ao médico conferir se algo não está errado. Por exemplo, se sentarem sempre perto do quadro na sala de aula ou assistirem televisão sempre de perto. Apertarem os olhos com frequência .... se queixarem de secura ocular .... ou ao contrário, estarem sempre lacrimejando.

Um dos principais cuidados com os olhos é nunca ficar coçando de forma intensa e apertando demais os olhos. Cuidado com a exposição excessiva ao sol na praia ou na piscina .... evitar pingar colírios sem recomendação médica.



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3. Com que frequência é recomendado fazer um exame ocular? Esse intervalo varia de acordo com a faixa etária?

MP A frequência será ditada pelo especialista. Se o paciente apresentar uma doença diagnosticada como ceratocone ou glaucoma, não importa a idade, os intervalos deverão ser curtos. Se não tiver absolutamente nenhuma patologia ocular os intervalos poderão ser de anos entre os exames, pelo menos até os 40 anos de idade, quando se instala a vista cansada (ou presbiopia).

 
4. Quais são os hábitos mais nocivos para a visão (por exemplo: ler com pouca luz, assistir TV muito de perto, ficar no celular/computador, etc)

MP Para funcionarem perfeitamente, os olhos necessitam de luz suficiente para poderem ler por inúmeras horas sem apresentar fadiga. Os olhos humanos não estão aptos para funcionarem em baixa iluminação. Assistir televisão, o recomendável é manter uma iluminação normal no ambiente onde ela se encontra, Hoje, graças aos televisores com telas de plasma, as imagens são perfeitamente visíveis mesmo instalados em varandas abertas.


A Luz Azul está presente principalmente nos tabletes e telefones celulares!


Uso de tabletes ou celulares por horas intermináveis é totalmente desaconselhável. Não só pela emissão de um espectro de luz azul que emitem, e que os pesquisadores consideram danosos às células fotorreceptoras da retina, como também pela possibilidade de provocarem o aparecimento de olho seco. Ou seja, já está comprovado que, nesta situação de exposição excessiva a estes equipamentos, os olhos reduzem a produção de lubrificação considerada ideal e por efeito acumulativo, podem levar ao aparecimento de degeneração macular com o avançar da idade.

 
5. Fatores ambientais podem prejudicar a visão? Se sim, quais?

MP Hoje vários trabalhos científicos comprovam que toda criança deve ser exposta ao sol da manhã por um certo período diariamente. Esta ação provocaria a produção de uma substância química inibitória para o aparecimento e desenvolvimento de miopia.

Em países muito frios onde tal exposição é muito restrita, tais pesquisadores encontraram um alto índice de miopia, que tende a crescer de forma quase como a de uma epidemia de míopes. Ao contrário, em países tropicais, o índice de miopia entre jovens é bem menor do que nos países nórdicos, por exemplo.

Mas um espectro da luz solar também hoje começa a preocupar os pesquisadores, e que corresponde ao da luz azul.



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6. A oftalmologia foi a especialidade médica que mais evoluiu ao longo dos anos. Quais foram os maiores avanços e quais são os principais tratamentos oftalmológicos disponíveis hoje?

MP Até a primeira metade do século passado a oftalmologia usava ainda recursos quase que milenares para o tratamento de diversas doenças oculares, como a catarata, o glaucoma, doenças de retína e vítreo. Desconhecia-se a existência de algumas estruturas intraoculares, como o revestimento interno da córnea, denominado endotélio. Não tinha noções exatas de como realizar um transplante de córnea.

Foi a partir da década de 1960 é que ela deu um salto monumental com a incorporação de diversas tecnologias que mudaram totalmente a maneira de diagnosticar e tratar aquelas doenças.

O advento de diversos tipos de laser (principalmente o argônio, YAG, excimer) permitiram executar procedimentos cirúrgicos absolutamente impensáveis no início do século XX, como a correção da miopia, hipermetropia, astigmatismo, vista cansada. A implantação de cristalinos artificiais na cirurgia de catarata foi revolucionário. O uso de ultrassom para remoção de catarata, com a técnica conhecida como facoemulsificação, nos fez abandonar de vez técnicas que prevaleciam há mais de mil anos!



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Hoje a retina é manipulada com bastante segurança graças a potentes microscópios e o vítreo graças a sofisticados equipamentos de vitrectomia e visão 3D. O advento no início deste século das injeções intravítreas de substâncias antiangiogências, nos permitiu lidar melhor com certas doenças maculares, incluindo retinopatia diabética e vários tipos de hemorragia e edema.


Entrevista concedida a jornalista Fernanda Machado, do Observatório da Saúde



Dr. Miguel Padilha
Dr. Miguel Padilha
Membro do Observatório da Saúde e Membro da Comissão de Ética do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.